Set
11
se eleito for…
Setembro 11, 2007 | 2 Comments

Pode ser que esse negócio comece e pare por aqui mesmo, mas comprometo-me perante os gatos pingados que por passam a postar os textos a seguir (sem a obrigatoriedade da ordem) :
Do meu anti-projeto de paternidade
(Sobre a não vontade de ter filhos e suas justificativas).
Do prazer de cheirar o canto da unha do dedão do pé
(Confissões sobre práticas escatológicas e hábitos corporais marginalizados)
Da tentativa de conquistar o mundo
(Um game capaz de provocar surtos imperialistas e dependências psíquicas)
Do show de Jorge Ben aos bafons da parada GLBT de Vix
(Ensaios de arrastões, estranhezas perversas e a chegada dos alquimistas)
Ago
23
a moda, minha mãe e eu
Agosto 23, 2007 | 2 Comments
Cada um tem o Complexo de Édipo que merece, no meu caso o guarda-roupa sempre serviu como indicador dessa relação com a autoridade, mais especificamente com a minha mãe. Mas antes que especulem, nunca quis me vestir de mulher ou coisa do tipo, sempre fui homenzinho, esquisito, mas homenzinho. E também não me acusem de misógino por causa disso. Se eu fosse mais corajoso vivia de saia, pois adorei o frescor de tê-la trajado por um dia inteiro!
Considero um marco da minha independênica afetivo-filial o dia em que passei a escolher e comprar as minhas próprias roupas. Indícios dessa rebeldia já apareceram na infância e pré-adolescência, quando parei de usar a camisa dentro da calça – ao contrário de quase todos os meninos da minha idade. Minha mãe fazia uma cara de frustrada ao ver todos os meninos ali engomadinhos, enquanto eu adorava aquelas camisetas/camisas folgadas. Achava incômodo, impedia o meu corpo de movimentar livremente, esquentava.
Hoje acho ilógico usar camisas de botão por dentro da calça, se fosse pra ser assim as roupas deveriam vir com algum “encaixe” pra juntar a camisa à calça. Acho um contra-senso se vestir desse jeito. Nunca sei o quanto da camisa deve ficar do lado de fora, me sinto parecido com saco de presente. Mas considero esse visual a certeza da virilidade, é sempre muito “homem” essa combinação, até gosto de performatizar isso de vez em quando. E no meu guarda-roupa há alguns desses figurinos “de missa” para ir a casamentos e outros eventos formais.
Meu estilo é o basicão: t-shirt, jeans e tênis. Claro há inúmeras e bem definidas variedades dessa combinação, nas quais nunca me enquadro. É que vou me apegando às peças do vestuário, elas vão desbotando, descosturando, até que não tem mais jeito mesmo. Sempre dói me desfazer de uma camiseta querida, de uma bermuda furada. Isso também me impede estar “na moda”, por dentro das tendências e tal.
Também defendo arduamente a hippongagem como possibilidade de figurino prático para os dias corridos. O problema é quando se junta o desleixo com a falta de charme, há o risco de ser confundido com um vendedor de artesanato. E também nada dessa história de dias sem banho e roupas encardidas. Esquisito, porém limpinho!
Mesmo após a minha independência figurinística, minha mãe, vez por outra, tem uns arroubos de ex-monarca: compra uma peça de roupa para mim ou tenta dar fim a alguma indumentária velha minha. Na última dessas, ela quis jogar fora a calça jeans cinza – na verdade ela não tem uma cor definida e após vários processos de tingimento e desbotamento chegou-se à uma tonalidade indefinível. Tal vestuário está comigo faz uns oito anos, tem um buraco próximo de cada boca (coisa comum nas minhas calças) e preciso usá-la sempre com um cinto, pois é bem folgada. Minha mãe alegando que “isso não é coisa de pôr no corpo”, vê se pode! Por pouco não a perdi!
Atualmente freqüento a sessão infanto-juvenil das megastore, pois o tamanho menor para adultos é grande pra mim. Daí descubro que a moda infantil é louca. Umas estampas e pinduricalhos que duvido agradar os pré-adolescentes, mas satisfaz a crueldade dos pais em enfeitar os seus rebentos. A história se repete!
Ago
23
meu global pegável
Agosto 23, 2007 | 6 Comments
Numa dessas conversas de bar, ouvi uma história que promete virar uma lenda urbana. Um amigo contou que sua colega de classe havia retornado de um intercâmbio nos EUA. A garota ficou em Nova York e quase se tornou um organismo da ONU, passou o rodo em várias nacionalidades! Nem o próprio Brasil ficou de fora, mas não foi um brasileiro qualquer o contemplado pela diplomacia da menina. Tratou-se de nada mais nada menos que um ator global com alto índice de pegabilidade. Por ora, vou chamá-lo aqui de Juquinha, pois sabe-se lá quem anda lendo este blog, não tenho colhões para enfrentar processos por calúnia e difamação. E papo de boteco não é bom argumento nos altos judiciais.
O Juquinha é daqueles homens muito bonitos, gostosos, charmosos que não precisam de photoshop nem da produção da Caras para parecer o que já é. Daqueles que se um dia te der mole, você vai procurar a câmera escondida. Ele está mais para um item de decoração do que para uma pessoa, algo assim perto do sublime. É daqueles que mesmo interpretando o papel do vilão, você ainda torce por ele. Loiro, alto, olhos claros, corpo perfeito e uma cara que é um misto de safado com anjo. Sei que a descrição tá meio batida, mas é que o cara é muito gato mesmo!!
Pois a garota pegou o Juquinha numa boite em Nova York. Ele estava lá na companhia de um amigo, com o qual ela começou a flertar. Daí o Juquinha passou a dar em cima dela, ela o dispensou inicialmente. Vê o risco que a tonta correu, parece desconhecer aquela história de que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar. Resumindo o espetáculo da vida: foi serviço completo com o Juquinha – barba, cabelo e bigode. E, ao que consta, toda a pegabilidade do rapaz vendida na TV corresponde ao seu desempenho sexual: ele faz bem e muito bem! Com um detalhe levemente pendido para um dos lados que não recordo agora.
Enquanto ouvia esse relato, eu e uma amiga ficávamos cogitando qual a maneira de atrair um pouco dessa sorte para as nossa vidas. Vamos propor a tal garota que nos dê parte da água do seu banho pra gente preparar um chá, diluir no preparo de alimentos, usar como perfume, regar os nossos chacras, sei lá. É muito poder de atração para uma pessoa só, e essa energia deve ser repartida de alguma maneira.
Mas não demorou muito para a tal história, de certa forma, se repetir justamente comigo. Eram quase 17h, eu estava concentrado no meu trabalho quando recebo uma ligação no meu celular. No visor, o código de área do telefone que me liga é de São Paulo. Penso imediatamente: “A operadora do cartão de crédito tá ligando pra negociar os meus débitos”, “Meu nome está ameaçado de ir para o SPC, SERASA ou coisa do tipo”. Afinal, quem, além de empresas de cobrança, iria me ligar de São Paulo em horário comercial?
Atendo. A voz do outro lado é macia e levemente rouca. Fala de maneira sedutora e pausadamente. E logo de início se apresenta mais ou menos assim: “Olá, sou o Selton Mello”. Um tiro frio percorre a minha espinha. E ele continua falando, de maneira persuasiva e modulada. Eu nem respondo. É ele mesmo o Emanoel, namoradinho da Grampola, que virou anjo e foi pro Céu; que interpretou Chicó em O Auto da Compadecida; o playboyzinho que desvirginou a Carolina Dieckmann na novela Tropicaliente.
Convenhamos: o Selton Mello não atinge 70% da pegabilidade do Juquinha, mas é inegavelmente um global pegável. Juquinha é do tipo pelo qual toda tia rica solteirona gostaria de ser assaltada. O Selton Mello não. Este é ligado ao cinema, às artes, à cena cult (vamos resumir). Deve cozinhar bem, ler literatura contemporânea, ser inventivo na cama, ter amigos descolados, praticar esporte para socializar-se com os amigos. Já Juquinha não precisa fazer nada disso, basta tirar a roupa e dizer sim. É um mundo à parte, um parque de diversões visualmente falando!
Juquinha é daqueles atores que fez o mocinho de Malhação, logo o seu corpinho e carinha bonita são partes importantes do currículo. Há também a anedota de que certo diretor usou dos préstimos sexuais do rapaz como forma de pagamento para sua entrada (com todo o duplo sentido possível) no casting global. O Selton Mello não, tem história, estudou, fez teatro, produziu, dirigiu e tal. Se encaixa naquela história de “construiu a carreira”, “tem trabalhos autorais”… Vai ao dermatalogista certamente, mas são usa isso para conseguir matérias em revista para adolescentes. Um homem com outros predicados e ainda assim um global pegável.
Sei que um telefonema não chega aos pés de uma relação mais íntima e presencial, de uma foda de verdade, como o “raspar de tacho” da garota intercambista. Durante a ligação não pude conversar muito com o Selton, ele parece não estar muito interessado no que digo, mas o tempo inteiro demonstra carinho e atenção. E o objetivo da conversa, mesmo que “monologal”, também não é um flerte. Ele nunca me viu, nem por foto, é o nosso primeiro contato. Mas já é um começo. Além disso, quantos anônimos como eu recebem ligações de um global pegável? E mais, a ligação é para mim mesmo, não foi um engano, não é uma pegadinha, há algo de especial.
Vamos ao conteúdo do contato telefônico. O Selton fala, fala, fala. Sempre com aquela voz calma e certa, sedutora mesmo. Fala sobre coisas que eu posso ganhar, sobre as vantagens que eu tenho. É algo sobre bônus de recargas. Sobre a possibilidade de eu ganhar até R$1.000 ao recarregar o meu celular pré-pago. Fala dos benefícios de ser um cliente Vivo, de que a empresa telefônica dispõe de uma série de promoções para os clientes pré-pagos. De que a Vivo está grata pela minha preferência. No final se despede e me dá duas opções: 1 – Saber o valor dos bônus correspondentes às recargas, 2 – Repetir a mensagem. Claro, escolho a última, e por mais três vezes o escuto: “Olá, sou o Selton Mello…”. E é ele mesmo, falando comigo.
Ago
16
luta simpática
Agosto 16, 2007 | 2 Comments
Ele é um sujeitinho simpático. Dessas simpatias que me causam mal. É daqueles que se estressa pra camiseta não destoar do resto do ambiente, querendo sempre cercar-se de boas relações, bons contatos. Abraços, beijinhos, piadinhas leves, fala bem até do unanimente mal falado. Daí não sei se reajo cordialmente ou demonstro o meu asco.
E ele insiste em marcar eventos comigo, saídas, passeios, conversas sobre os filmes recém lançados. Cinicamente aceito esses galanteios, mas lanço maldições nos planos dele. Cobro sempre que me devolva rápido as revistas, livros e CDs emprestados – por enquanto essa foi a única maneira de estabelecer uma hierarquia na nossa relação. Porém ele estabelece prazos de leitura, devolve-me tudo antes do combinado, o que me irrita ainda mais. Sempre faço um ar de displicência nessas horas, ele sorri resignado – é uma luta dura.
Talvez a estratégia seja outra: afetá-lo com cuidados exagerados, demonstrar ciúmes, concordar sempre, admitir a derrota naqueles papos sobre televisão e vida a dois. Não! Não! Não! Vou continuar na minha tática cínica, um dia ele cederá e verá uma grande mácula no nosso convívio. Será o paraíso!
Ago
15
o que me incomoda em joana
Agosto 15, 2007 | Leave a Comment
Desde que a conheço, uma coisa sempre me incomodava em Joana: a sua falta de seios. Deficiência super compensada pela sua grande, redonda e firme bunda – assunto sempre presente nos muitos papos dos meninos da escola. Joana era baixa, tinha coxas grossas, pés e mãos delicados, cintura bem acentuada, mas lhe faltavam seios. No nosso último encontro, o seu físico continuava o mesmo e continuei incomodado com a falta de seios de Joana.
Diferente das meninas da sua idade, Joana era independente, autônoma, dona de si. Isso me prendeu desde o início a Joana, a coloquei em um pedestal por isso, viramos amigos depois. Ter a bunda de Joana por perto era também um grande prazer, todo aquele volume, aquela forma – sim, bati punhetas para a bunda de Joana. Depois me apaixonei por ela (por Joana), me declarei, levei um fora, mas continuamos amigos.
Joana também não tinha pretensão de casar-se cedo, queria ir tentar a vida no exterior junto com alguns parentes que moravam por lá, fazer uma faculdade e tal. Esse projeto típico da classe média-baixa de ir pra fora, retornar, graduar-se e ascender socialmente. Mas não fez nada disso, casou-se e separou-se logo em seguida. Participa ativamente da sua igreja, acho que está de namorado novo, até me convidou para assistir a um culto organizado pelos jovens da congregação. Inventei qualquer desculpa e não fui.
E Joana já não ocupa aquele pedestal. Ela ainda quer uma vida mais confortável, encher a sala de estar com aquelas quinquilharias que a sua tia manda dos EUA. Enquanto isso faz teologia na sua igreja e diz que está na faculdade. É bom dizer que ela casou-se virgem, mesmo com toda o potência erótica da sua bunda. E pelo que sei ela não transa com o atual namorado – coisas da moral religiosa. Joana continua perseverante, disciplinada e, certamente, saiu do traçado original dos seus projetos, mas continua com eles. Eu ainda admiro isso nela, mas a falta de seios continua a me incomodar.
Ago
15
um certo cigarro
Agosto 15, 2007 | Leave a Comment
Sempre que posso e preciso vou ao ponto de pegação. Trata-se de um espaço difícil de ser compreendido para os não iniciados nas práticas homoeróticas. Lá há de tudo, há negociações e uma fluidez uma circulação física mesmo. Lá performatizo a minha virilidade num jogo erótico puro e sujo – e aqui não é metáfora – com bem menos filtros que um flerte na mesa de um bar descolado. Tem pra todos os tempos, há aqueles que buscam uma foda fast food quase anônima na penumbra da vegetação, há os que ciceroneiam surubas, há os que buscam um parceiro exclusivo mesmo que por poucos minutos. E na política da foda é inevitável não fazer a conta de até onde ceder, permitir, além daquele conhecido joguete do ativo e passivo.
E na minha última ida ao ponto de pegação refleti essa matemática – sim eu penso sobre isso mesmo perto de gozar! Repeti uma figura, algo que valia a pena ser repetido – rapaz simpático e hábil boqueteiro – sem dúvida o maior motivo do remake. Daí quando retribui o boquete senti um gosto intenso de cigarro. Eu não sou fumante nem aprecio a fragrância tabagística, pensava se valia aquele gosto em troca do excelente sexo oral do rapaz.
Poderia ter prendido a respiração, ter negociado outras práticas, mas insisti e suguei a nicotina e massageei a glande com a minha garganta e língua. No final, minha boca já tinha aquele mesmo gosto, algo parecido com a sensação de estar em ambientes fechados, abafados pela fumaça de cigarro, mas que só se percebe fora dele. Já era o meu gosto pelo cigarro.
Ago
15
DO GOSTO INCIAL - apresentação
Agosto 15, 2007 | Leave a Comment
Recentemente retomei um curso de língua estrangeira. Aprender outro idioma, assim como várias outras coisas sempre foram começadas, mas nunca acabadas por mim. Tenho um percurso abortivo. Criar e manter um blog não escapou ao meu trajeto pouco acabativo. Portanto, esse pode até ser um texto testamento. Daí a raridade e motivo para não ficar enganado com o draminha esboçado até aqui: trata-se de um texto que se pensa morto. Mas o que pretendo postar aqui será um misto de desabafos, crônicas do cotidiano, digressões mesmo, fictidóides. Nada claro, espero que divertidamente turvo.
Os sabores ácido e doce são temas mestres e guias dos textos. E não esperem dicotomias claras, atualmente estou mais para aquele gosto que só os orientais parecem dar conta, o tal do quinto sabor – aquele do sal aji-nomoto. É algo assim, indefinido, porém potente.
